26 fevereiro , 2018

A semana foi de forte valorização aos contratos do milho negociados na BM&F Bovespa. De acordo com levantamento elaborado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, as principais posições da commodity subiram entre 3,94% e 7,56%. O março/18 subiu de R$ 34,65 a saca para R$ 37,27 a saca. Já o maio/18 passou de R$ 34,04 a saca para R$ 36,05 a saca.

Os analistas ainda destacam que o mercado encontra sustentação na menor disponibilidade do produto, especialmente no mercado paulista. “Em São Paulo, a colheita tem avançado, mas o volume para negociação ainda é restrito, o que tem feito com os preços se sustentem”, reportou o Cepea em seu comentário semanal.

Em contrapartida, os compradores adquirem pequenos lotes apenas quando os estoques baixos. De maneira geral, os vendedores estão retraídos no mercado do cereal à espera de melhores oportunidades de negócios. E, com o avanço da colheita, os produtores têm preferido comercializar a oleaginosa.

No caso do cereal, a colheita da primeira safra está completa em cerca de 19% da área semeada, conforme dados da AgRural. O percentual está em linha com o registrado em igual período do ano anterior, mas abaixo da média dos últimos cinco anos, de 22%.

Outro fator que também segue sendo observado pelos participantes do mercado é o andamento do plantio da segunda safra. Em algumas regiões, os produtores têm encontrado dificuldades em avançar com a semeadura do grão devido às chuvas contínuas. Também é preciso reforçar que houve um comprometimento da janela ideal de plantio do cereal depois do atraso observado na soja.

Diante desse quadro, uma das certezas do mercado é que parte da safrinha será cultivada fora do período ideal, cenário que gera preocupações quanto à produtividade das lavouras. No caso do Paraná, Mato Grosso do Sul e algumas regiões de São Paulo a apreensão é com a possibilidade de geadas a partir de junho.

Ainda segundo a AgRural, em torno de 43% da área estimada foi semeada com o grão até o momento. Em igual período do ano anterior, o índice estava em 57%  e a média dos últimos cinco anos é de 47%.

No mercado doméstico, as cotações também subiram ao longo dessa semana. Em São Gabriel do Oeste (MS), a valorização foi de 13,64%, com a saca a R$ 25,00. Em Campo Novo do Parecis (MT), a salta foi de 5,41%, com a saca R$ 19,50.

Na região de Palma Sola (SC), a saca subiu 5,26% e fechou a semana a R$ 30,00. Em São Paulo, a saca registrou alta de 4,69% em Assis e de 4,46% em Campinas. Os preços ficaram em R$ 29,00 a saca e R$ 35,10 a saca, respectivamente.

Bolsa de Chicago

No mercado internacional, a semana foi ligeiras quedas aos preços do milho, ainda conforme levantamento do Notícias Agrícolas. As cotações acumularam desvalorizações entre 0,06% e 0,34%.

Já nesta sexta-feira, as principais posições da commodity caíram entre 0,25 e 0,50 pontos. O vencimento março/18 era cotado a US$ 3,66 por bushel, enquanto o maio/18 operava a US$ 3,74 por bushel. O julho/18 encerrou a sessão a US$ 3,82 por bushel.

Os analistas ainda reforçam que as cotações do cereal permanecem sendo direcionadas pelo comportamento do clima na Argentina. É consenso entre as consultorias, que a falta de chuvas já afetou a produtividade das lavouras de milho e soja no país vizinho nesta temporada.

Inclusive, ao longo dessa semana, foram reportadas algumas estimativas para a safra. No caso do milho, a projeção de colheita recuou de 39 milhões para 37 milhões de toneladas neste ciclo, conforme estimou a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA).

“Em linhas gerais, ainda estamos perdendo o rendimento”, disse Rich Nelson, estrategista-chefe do corretor da Allendale, com sede em Illinois, em entrevista à Reuters internacional.

Algumas regiões do sul da Argentina já registraram chuvas no início desta sexta-feira, segundo dados da Climatempo. “As chuvas continuarão sendo irregulares e de baixa intensidade. Com isso, ainda haverá muitas regiões que continuarão apresentando déficits hídricos. No entanto, como há expectativa de chuvas mais regulares ao longo dos próximos 15 dias, as condições aos poucos estarão melhorando para o desenvolvimento das lavouras”, destacou a entidade.

Além disso, o mercado também reflete as informações do Outlook Forum, do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). No primeiro dia do encontro, a área de plantio com o milho nos EUA para a próxima temporada foi projetada em 36,42 milhões de hectares.

Ainda hoje, o USDA reportou a venda de 115 mil toneladas de milho para o Egito. O volume negociado deverá ser entregue ao longo da campanha 2017/18.

Essa é a segunda operação destacada essa semana, já que nesta quinta-feira, o órgão informou a venda de 130 mil toneladas do cereal para destinos desconhecidos. O volume também será entregue no ciclo 2017/18.

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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