23 Fevereiro , 2018

No mercado internacional, segue o foco sobre o clima na Argentina, porém, dia a dia, crescem as especulações sobre a permanência do La Niña até março e as complicações que poderiam vir a surgir para a nova safra de grãos dos EUA.

Novo dia de alta para os preços da soja no mercado brasileiro. Nesta quinta-feira (22), as cotações subiram até 1,53% no interior do país, como foi o caso de Cascavel, no Paraná, onde o último indicativo ficou em R$ 66,50 por saca.

Nos portos, por outro lado, as cotações permaneceram estáveis, acompanhando a movimentação observada na Bolsa de Chicago. Em Paranaguá, R$ 76,50 para o produto disponível, e R$ 76,70 no terminal de Rio Grande. Ainda no porto gaúcho, a soja para maio/18 conseguiu manter os R$ 78,00 por saca.

“Nesse curto e médio prazo, que o produtor brasileiro tem para colher sua soja, ainda há potencial de alta, mas vai depender muito da continuidade dessa seca na Argentina”, explica o analista de mercado da AgResource Mercosul (ARC), Matheus Pereira, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

E importantes instituições argentinas – como as bolsas de Rosário e Buenos Aires – já vêm reduzindo suas estimativas para a safra de soja do país, como aconteceu nesta quinta. Os novos números apresentados foram de 46 e 47 milhões de toneladas, respectivamente.

“Se os atuais mapas (estendidos) se confirmam, mantendo a seca nos próximos 20 dias, essas quase 10 milhões de toneladas de quebra pode chegar a 15 milhões. E isso vai voltar  fomentar toda essa especulação no mercado, mantendo sustentados os atuais níveis de preços (na CBOT)”, explica Pereira.

Mapas AGR

No entanto, o executivo lembra ainda que não se pode descartar, na formação dos preços brasileiros, a atuação do câmbio. E nesta quinta, após algumas altas, a moeda americana voltou a recuar e fechou em queda frente ao real. A divisa perdeu 0,40% e fechou com R$ 3,2486.

”O produtor tem que ganhar dinheiro com esse nível de preços, é importante participar”, completa o analista da ARC.

Mercado Internacional

Na Bolsa de Chicago, as cotações fecharam com perdas de pouco mais de 2 pontos entre os principais vencimentos, com o maio/18 valendo US$ 10,43 por bushel. Os contratos mais distantes ficaram ainda acima dos US$ 10,50.

Embora ainda muito conectados às informações que chegam do clima na América do Sul, especialmente aos dados climáticos da Argentina, os traders acompanham também o andamento do Agricultural Outlook Forum 2018, que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) realiza nestes dias 22 e 23 de fevereiro.

Em seus primeiros anúncios, o evento trouxe projeções de áreas menores de soja e milho para a nova temporada, em 36,42 milhões de hectares, para ambas as culturas. Dessa forma, a produção esperada é de 117,03 milhões de toneladas, contra pouco mais de 119 milhões do ano passado.

“São números neutros”, disse Matheus Pereira. “A especulação, porém, esperava uma área de soja maior”. completa.

Ainda nesta quinta, o mercado recebeu o anúncio de uma nova venda de soja para destinos não revelados, o que ajuda a motivar as pequenas altas na CBOT. Foram 110 mil toneladas, sendo 55 mil da safra atual e mais 55 mil da nova.

Paralelamente, crescem as especulações sobre a permanência do La Niña até março e as complicações que poderiam vir a surgir para a nova safra de grãos dos EUA.

Os mapas climáticos para a América do Sul não trazem grandes mudanças, o que dificulta o interesse do especulador em adicionar novas posições aqui na CBOT. A ARC está de acordo com os números publicados para a soja e milho norte-americano em 2018. Poderemos ver grandes mudanças apenas se os preços da soja continuarem se distanciando do milho, atraindo os produtores até meados de abril.

A Argentina continua sendo um foco das atenções, onde o cenário de seca se intensifica com a falta da chegada de precipitações. O padrão árido na Argentina deve perdurar por mais 10-12 dias, elevando os níveis de estresse hídrico e, se confirmado, reduzindo ainda mais as estimativas de produtividade.

Produtores argentinos não possuem nem intenções de venda (mesmo com preços locais em níveis jamais observados no país), uma vez que ainda é incerta a magnitude dos danos causados pela falta de chuvas desta safra 2017/18.

A Argentina vem tendo problemas com a escassez de água desde o plantio, com a intensificação deste cenário no começo de 2018 e que se perdura até o presentem, e é provável para o futuro. Precipitações pesadas e constantes seriam necessárias para amenizar este quadro.

La Niña

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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